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MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE

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MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE

Mensagem por Luis Fernando em Seg Maio 24, 2010 8:38 am

A história de hoje poderá parecer ficção, mas não é, passou-se na minha companhia e foi mais um episódio daqueles que a guerra colonial terá ás centenas nas suas páginas, a única ficção aqui será o nome do nosso camarada, porque não sei se é vivo se regressou a Portugal ou não,
E para que não ferir sensibilidades, vou chamar-lhe apenas João, o pessoal da Cª.2613 saberá a quem me refiro.

O João chegou à nossa Cª. transferido de outra companhia, que tinha regressado à metrópole e na qual por castigo, ele não foi, não sei o que terá feito nem tão pouco fiz questão de saber, as poucas conversas que tivemos passaram-se no posto médico, e versavam somente sobre questões de saúde, embora soubesse que ele era um pouco problemático a nível de convivência, dentro da caserna com os outros camaradas, chegou a dizer-me quando ia ao posto médico, em jeito de desabafo,” um dia mato um gajo e depois dou um tiro na cabeça”, eu tentava sempre desviar a conversa para outro campo, e ele falava sem nunca se abrir muito sobre o seu passado e saia, normalmente parecendo mais aliviado.

O caso passou-se numa das nossas estadias na Serra de Ambuíla, para onde a Companhia tinha que, de três em três meses enviar para lá um grupo de combate, ora o João foi tal como eu integrado num desses grupos de combate, um certo dia, tivemos que ir como era habitual, ao Quitexe buscar o reabastecimento e a água que não havia no cimo da serra. Aqueles que tinham incumbências iam tratar das mesmas, os outros depositavam as armas no depósito de armamento e podia ir “divertir-se “ até à hora de regresso à serra. O nosso amigo, o soldado João, desapareceu na Sanzala e só apareceu mesmo em cima da hora do regresso, mas não vinha “só “ trazia com ele uma pedrada de cangonha ( Liamba ) que mal conseguia abrir os olhos, ninguém lhe disse nada, e ele também fez o mesmo.

Passaria pouco das 21:30, hora a que normalmente se desligava o gerador, cada um já se tinha recolhido aos seus aposentos,( leia-se barracas pré fabricadas ) quando várias rajadas de arma automática se fizeram ouvir quase junto às nossas cabeças, todos tememos e pensamos o pior, os “ gajos “ conseguiram iludir os sentinelas e estão atrás das barracas, estão cá dentro! Eu dei um salto da cama, agarrei na G3, e rastejei para fora e coloquei-me ao canto da barraca tentando perceber como é que aquilo tinha acontecido, quando alguém grita… é o João, é cá dentro, saltei de imediato para a parte de traz da barraca e deitei-me no chão, foi o que me salvou, do sítio onde antes estivera a minha cabeça saltaram estilhaços de madeira quando por lá saiu uma das balas da G3, ainda fiquei com farpas da madeira espetadas na cara. O João tinha aumentado a “pedrada “ da tarde, e estava no meio do aquartelamento com uma G3 e vários carregadores e quatro granadas no cinturão, e disparava para tudo o que era barraca. A sorte de não ter apanhado ninguém, foi possivelmente porque estávamos todos deitados e as rajadas seriam um pouco acima da cintura, despejou 3 carregadores.

Agora o problema era, como desarmar o fulano? Todos estávamos armados, mas ninguém tinha coragem de disparar sobre um camarada que todos sabíamos, não estava no seu perfeito raciocínio. O que nos valeu foi que um dos madeireiros conseguiu sem que ele se apercebesse, subir para uma máquina de terraplanagem que estava por de traz dele e saltar--lhe para cima desarmando-o. Nessa noite ele passou-a amarrado e vigiado de perto, na manhã seguinte foi levado ao Quartel do Quitexe onde ficou detido, nesse dia foi ouvido e ficou em liberdade, à noite apareceu no aquartelamento da Ambuíla, a pé e desarmado, cerca de 12 ou 13 quilómetros, em zona de guerrilha, como estava consciente embora não se lembrando o que tinha feito, foi deixado ficar até regressar-mos a Mucaba donde foi transferido para a CCS que o terá enviado para Luanda com mais um processo.

Mais tarde, quando de uma minha deslocação a Luanda para uma consulta externa no Hospital Militar e tendo ficado no Depósito Geral de Adidos (era pior que o manicómio) fui encontrar o nosso amigo João, que continuava a fazer das suas, nesse dia o Comandante do D.G.A. recusou-se a assinar-lhe uma dispensa de recolher, (sabe-se lá porquê!) o João quis falar com ele, mas o Comandante não o recebeu, o João para se vingar arrancou e comeu várias plantas que estavam à porta do Gabinete do Comando, e não tendo ficado satisfeito, subiu para uma árvore com uma faca de mato na boca, passava de ramo para ramo gritando que era o Tarzam, tentei falar com ele mas não me ouviu, enquanto isso a P.M. chamada pelo comandante do D.G.A. tentava prende-lo!

Luis Fernando

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